sábado, 29 de agosto de 2009

Vamos falar de sexo?

A mastectomia remove, parcial ou totalmente, uma das mais importantes zonas erógenas do corpo da mulher, o principal símbolo de feminilidade. Além disso, a quimioterapia sabota temporariamente não só o bem-estar, mas também a libido e a vaidade feminina. Como fica a sexualidade dessas mulheres? E as relações sexuais com seus parceiros depois do tratamento? Como reagem os homens a esse evento tão marcante na vida do casal?

“Há muita desinformação entre as pacientes sobre as consequências do tratamento do câncer de mama. A sexualidade não faz parte do currículo dos cursos na área de saúde. Logo, o assunto dificilmente é abordado pelos profissionais”, diz a enfermeira Clícia Valim Côrtes Gradim, professora da Universidade Federal de Alfenas, que defendeu sua tese de doutorado sobre o tema em 2005.

O assunto é relativamente novo, mesmo no meio acadêmico. Nesse estudo qualitativo, realizado na Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto, no interior do Estado, Clícia entrevistou nove casais que vivenciaram o câncer de mama para entender como eles enfrentaram esse momento e verificar o seu impacto na vida sexual. A seguir, os principais trechos da entrevista com a pesquisadora.

A MAMA COMO SÍMBOLO
As mamas são a parte do corpo que nos define como mulher. Isso faz parte da cultura; assim fomos criadas. O primeiro sutiã, um rito típico da adolescência, é um bom exemplo. Já para os homens, o símbolo da virilidade é a genitália; eles valorizam o pênis propriamente dito. No estudo, a mama afetada não deixou de ser tocada durante o sexo, embora a preferência tenha sido pela mama saudável. Isso talvez explique por que os maridos não deixaram de desejar sexualmente sua esposa, apesar da doença e do tratamento.

ABALO NA RELAÇÃO
O principal temor de uma mulher diagnosticada com câncer de mama obviamente é a morte. Depois vem o estigma segundo o qual ela, se sobreviver, se tornará menos feminina e atraente para seu parceiro ou não será capaz de ter a mesma vida sexual que tinha antes da doença. A forma como o casal vai lidar com isso depende muito da história do relacionamento.

Se a união já vinha mal, é mais difícil. No estudo, todos os casais haviam construído uma relação saudável, de confiança e companheirismo, o que obviamente não significa que não tivessem problemas, mas, enfim, estavam satisfeitos com a vida a dois. Talvez por isso estivessem dispostos a falar sobre o assunto.

Nesse sentido, há um viés no estudo, pois provavelmente os casais com relação conflituosa não se sentiram à vontade para participar da pesquisa. Nos casais entrevistados, portanto, observamos que todos, aos poucos, enfrentaram cada dificuldade, desfazendo preconceitos, até finalmente retomarem a vida sexual.

DERRUBANDO MITOS
Quase todo mundo já ouviu falar de histórias de abandono da esposa pelo marido depois que ela foi diagnosticada com câncer de mama. Obviamente não observamos isso, porque os casais entrevistados tinham um relacionamento bem construído. Ao contrário, todos condenaram os homens que agem dessa maneira.

Além disso, percebemos uma participação muito ativa dos maridos nos cuidados durante tratamento, e que só não foi maior porque as próprias mulheres não permitiram. De forma geral, eles não as acompanhavam nas sessões de quimioterapia, por exemplo, porque na visão delas eles deveriam se preocupar com o trabalho. De qualquer forma, todos foram bons motoristas, disponíveis para levá-las e trazê-las sempre que preciso.

Outra ideia muito difundida é a de que a mulher mastectomizada tem vergonha de ficar nua diante do parceiro. Isso não ocorreu a nenhum dos casais, talvez porque a nudez já fosse uma prática corriqueira antes da doença e os maridos participaram de perto dos cuidados do corpo da parceira.

A FALTA DE DESEJO
O tratamento do câncer de mama geralmente dura de seis a nove meses, o que significa uma pausa na vida sexual do casal. Mas a pior fase é sem dúvida a quimioterapia, não só pelo sofrimento físico com os efeitos colaterais, mas também pelo impacto psicológico.

É o momento em que a mulher realmente demonstra estar doente, muito mais que depois da cirurgia. A queda dos cabelos, tão importantes na vaidade feminina, afeta seriamente a autoestima. A quimioterapia provoca a diminuição da libido, o ressecamento vaginal e a interrupção da menstruação, o que leva a uma pausa ou a uma diminuição das relações sexuais. Entretanto, os casais paulatinamente foram discutindo suas angústias conforme suas necessidades e o relacionamento preexistente.

O RETORNO À VIDA SEXUAL
Com o passar do tempo, os casais encontraram seu caminho de volta à vida sexual ativa, muitas vezes utilizando certas estratégias para contornar algumas dificuldades iniciais. Uma delas foi a alteração da posição do ato sexual, para evitar a pressão no braço do lado da mama operada, que fica muito sensível depois da cirurgia e requer diversos cuidados.

Géis lubrificantes, preservativos lubrificados e filmes pornográficos surgiram como alternativas para estimular o desejo sexual e diminuir o desconforto causado pelo ressecamento. O importante é que os homens não perderam o desejo por sua companheira, o que facilitou a espera e o estímulo ao retorno sexual.

Na luta contra o câncer de mama

Porto Alegre é a primeira cidade do Brasil a ter um Comitê de Tolerância Zero para Mortalidade por Câncer de Mama. O grupo foi criado no último dia 19 de agosto, na capital gaúcha, por iniciativa do Imama – Instituto da Mama RS, associado à Femama. A intenção é que ele dê origem a uma rede que alcance todos os municípios do Rio Grande do Sul.

Composto por representantes de diferentes segmentos da sociedade, o Comitê tem por objetivo a criação de políticas públicas efetivas e a identificação de falhas na cadeia de atendimento para a saúde da mama. Além disso, visa promover o entendimento da sociedade sobre as causas da alta mortalidade por câncer de mama no Rio Grande do Sul, priorizando políticas adequadas para a reversão dos índices atuais.

O Comitê de Tolerância Zero caracteriza-se por um conjunto coordenado de ações educativas, articuladoras e mobilizadoras com foco na informação, educação, fiscalização e nas ações em rede voltadas à saúde da mama, garantindo a universalidade, integralidade e equidade dos direitos plenos das mulheres brasileiras.

Na foto acima, à frente, da esquerda para a dirteita, Helena Barreto dos Santos (Hospital de Clínicas de Porto Alegre), Maria Elisa Cunha (AJURIS), Elaine Turk Faria (PUC RS), Liane Araújo (Imama), Neusa Selma Lyrio Heinzelmann (Conselho Municipal de Saúde de Porto Alegre), Maria Noelci Teixeira Homero (Maria Mulher - Organização de Mulheres Negras), Maria Helena Gonzalez (Coordenadoria Estadual da Mulher RS), Maira Caleffi (presidente da Femama e do Imama), Gustavo Gomes Py da Silveira (Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre - UFCSPA), Rita de Cássia da Rosa Bispo (SINDILAC), Tatiane de Souza Adamski Heller (SESI-RS), Rodrigo Ribeiro (Imama), Maria Luiza Antunes Moreira (Associação Riograndense de Imprensa - ARI), Marcia Santos Silva (Imama). Atrás, da esquerda para a direita, Cristina Santos (Gabinete Dep. Paulo Borges), Marta Gomes (Imama), Luciane Franco (Secretaria Municipal da Saúde Porto Alegre), Edith Puhl (Federação das Mulheres Gaúchas), Leonildo José Mariani (FAMURS), Sirlei Fajardo (Secretaria Municipal da Saúde Porto Alegre), Maria Angélica Linden (Imama), Anke Wilms (Imama), Carlos Alberto Schütz (SENAR-RS), Moiseli Paz Molina (COREN-RS), Vera Viannes Caminha (SENAC-RS), Rosa Rutta (superintendente do Imama).

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

A guerra contra a obesidade

Todos sabem que a obesidade é fator de risco para doenças cardiovasculares e diabetes, mas poucos têm noção de que ela também pode ser responsável pelo desenvolvimento de diversos tumores. É sempre bom lembrar que os males do excesso de peso vão muito além de questões estéticas.

Estimativas da União Internacional de Combate ao Câncer (UICC) colocam a obesidade no segundo lugar da lista de causas evitáveis da doença, logo atrás do tabagismo. Segundo a entidade, cerca de 30% dos casos de câncer nos países ocidentais são provocados pela combinação entre alimentação inadequada e sedentarismo, cuja consequência fatal são os quilos indesejados.

Não que a relação entre o acúmulo de gordura corporal e o desenvolvimento do câncer seja uma novidade para médicos. É que a epidemia de obesidade que se alastra pelo mundo vem agravando o problema e pedindo uma maior conscientização da população, particularmente das mulheres, já que muitos estudos indicam que a obesidade aumenta o risco de câncer de mama e de endométrio (a parede interna do útero).

“Enquanto na década de 1970 cerca 6% das brasileiras eram obesas, nos anos 1990 esse número dobrou”, explica a mastologista Fabiana Baroni Makdissi, do Hospital A.C. Camargo, em São Paulo. Segundo ela, manter-se com um peso saudável, o que exige alimentação equilibrada e exercício físico, é um aspecto-chave da prevenção. “É preciso se cuidar. É uma questão de qualidade de vida”, diz a médica.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

O ciúme está atrapalhando muito a nossa relação

Pergunta:

Leoa.jpgNamoro um cara há dois anos, mas o ciúme está atrapalhando muito a nossa relação, estamos deixando de sair por conta do meu ciúme, por que todas as vezes que saímos, fico logo emburrada achando que ele ta olhando para os lados pra paquerar. Olho as mensagens dele, fico prestado atenção quando o telefone dele toca pra ver se é alguma mulher… enfim ta uma situação insustentável pra ele… já terminei varias vezes por achar que ele ta sempre com alguém!

Resposta:

Primeiro, vamos pensar em você e não nele. Por que você tem tanta desconfiança dele? Você já foi traída alguma vez? Já sofreu por causa disso? E seus pais? Eles ainda estão casados? Ou algum deles traiu o outro?

Ao entender qual o motivo de você se sentir insegura, é muito mais fácil você conseguir entender por que você está se sentindo assim com teu namorado.

Se o problema é de você ter sido traída por outro namorado antigo, entenda que isso foi no passado e nem todos os homens são iguais.

Se o problema for algum exemplo ruim que você teve na infância de brigas e ciúmes entre seus pais, por traição, entenda que isso é um caso para ser resolvido por eles, e que você não precisa viver assim. Deixe para teus pais resolverem, e passe a confiar em teu namorado.

Agora, se o problema for por teu namorado não de passar a confiança necessária, ou por ele já ter te traído, pode ser que esteja realmente na hora de você ter uma conversa com ele para ele mudar as atitudes dele, ou você terminar com ele e achar um namorado que te passe confiança.

Mas em minha opinião, você precisa passar a confiar em teu namorado e dar espaço a ele. E se ele errar ai sim você briga com ele. Não brigue antes de acontecer alguma coisa. Nem fique paranóica em cima dele, pois isso só vai destruir teu relacionamento.

Boa Sorte!

Incontinência urinária: Quando devemos procurar um urologista?

Desde que me tornei um urologista noto que, no Brasil, existe uma grande dificuldade para as pessoas entenderem o campo de atuação deste especialista. A grande maioria das pessoas quando pensa em urologista imagina que essa especialidade trata de problemas da próstata e dos problemas genitais masculinos. Por esta razão, muitas pessoas que precisam da orientação de um urologista, deixam de procurá-lo, exclusivamente por não saber que deve procurá-lo. Por isso, decidi escrever, para esclarecer, de uma vez por todas, a área de atuação do urologista.

A Urologia é uma especialidade ampla e fascinante que atua no diagnóstico e tratamento de problemas genitais masculinos e todos os problemas relacionados ao trato urinário masculino e feminino. Isso inclui rins, ureter, bexiga e uretra. Assim, o urologista é o médico habilitado a tratar problemas do trato urinário, desde crianças recém nascidas até pacientes bem idosos, tanto do sexo masculino e quanto do sexo feminino. Isso mesmo, o urologista trata de mulheres.

Então, Quando uma pessoa deve procurar um urologista? A seguir, exemplifico algumas situações frequentes em que o Urologista atua de maneira efetiva.

Crianças:

- Que apresentem sintomas de infecção urinaria;
- Que tenham dificuldade para urinar;
- Que apresente sintomas de incontinência urinaria ou enurese noturna;
- Meninos que tenham dificuldade de expor a glande.

Adolescentes do sexo masculino:

- Avaliação preventiva para determinação da presença de varicocele (que pode causar diminuição da fertilidade);
- Esclarecimentos sobre iniciação sexual, desenvolvimento genital, masturbação e ejaculação etc.

Adultos jovens (Homens e Mulheres):

- Com quadro de Infecção urinária;
- Pedra nos rins;
- Dificuldade de urinar;
- Incontinência urinária;
- Problemas no testículo;
- Casal com dificuldade de gravidez.

Maturidade - Idosos (Homens e Mulheres):

- Infecção urinária;
- Pedra nos rins;
- Dificuldade de urinar;
- Incontinência urinaria;
- Prevenção e tratamento de problemas da Próstata;
- Prolapso da bexiga e da uretra,

Pessoas com Problemas Neurológicos (Homens e Mulheres):

- Geralmente apresentam distúrbios de esvaziamento e enchimento da bexiga, além de apresentarem com frequência infecção urinária. Por isso, devem ser acompanhadas de perto por um urologista.
O urologista também é o médico habilitado para diagnosticar e tratar todos os tumores benignos e malignos do trato urinário masculino e feminino (incluindo rim, ureter, bexiga, uretra) e ainda do trato genital masculino (pênis, testículo e próstata).

Enfim, a Urologia é uma especialidade fascinante e não está restrita apenas ao tratamento masculino.

Dr. Fernando Almeida. É professor da Disciplina de Urologia e médico responsável pelo setor de Disfunções Miccionais da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e pelo site disfuncaomiccional.med.br